LIXO

Nas entranhas do desperdício,
existem entradas para o vício
a corroer essa merda que tendes
em vossos crânios.

Voltei, com orgulho, à revolta.

E do lixo, do podre que repudias,
ergo-me rei, em noites e dias
de raiva silenciosa, nunca séria,
somente um gozo de vos saber fodidos,
ó reis sem tronos.

Vede que não passo de lixo,
de puta cheia, ó, repleta, de sida.
Um monte de cicatrizes orgulhosas,
venenosas como a razão
que bebe água com pão, blurento,
e no meu pensar avarento,
vejo-vos rir, a disfarçar o medo?
Cheiro a lixo, fedo, putas!

Pelas leis da natureza,
confesso-me alheio ao criar
de suposta beleza.
Sou antes bicho, bêbado.
Vindo do lixo, para vos
presentear o enterro.