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Doze personagens, seis mil anos e o mesmo local para a acção decorrer. Se nisto for colocada uma dose de rigor histórico e, ao mesmo tempo, muitas lendas, ou crendices, ou ainda, a pérfida imaginação do autor. Temos motivo mais do que suficiente para ouvir a Voz.
Northampton foi o lugar que viu nascer Alan Moore, um dos mais importantes argumentistas do universo de Graphic Novels. Northampton é também local d’«A Voz do Fogo», que percorre um espaço temporal de seis mil anos.
Moore não é só uma escritor obcecado pelo detalhe, pela gramática apurada ou pela – possivelmente – dantesca pesquisa realizada para os seus textos. Este romance possuí um ritmo imposto ao gosto do autor, sem pausas para nos sentirmos, aumentado o interesse a cada página com detalhes sombrios que, tal como um acidente do outro lado da estrada, nos fazem abrandar para satisfação da sempre mórbida curiosidade.
Para que tal se consiga, nesta edição da Saída de Emergência, a presença de David Soares na tradução é um facto de incontornável importância, uma vez que, graças a um vasto léxico e uma ainda melhor compreensão da obra, tudo fluí (sobre)naturalmente.
«A Voz do Fogo» não é só um livro fantástico, é um livro obrigatório, que reunirá, certamente, algumas das mais surpreendentes histórias que se podem ler. Grandioso.
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