Dá-me duas gramas, mata este.

September 2nd, 2010

Estava a escrever quando ouvi:
“São quase sete… ainda estás a fumar?… e a escrever?

E, com azia no estômago, deito-me.

Enquanto o tempo passa torto.
Sento-me a remendar uns sonhos,
gosto dos meus como são, desfeitos.

Não os troco por novos.

Para desperdiçar,
basta-me a existência.
A falsa decência essencial ao coexistir
em sociedade morta por se vir
nas minhas mãos, costas e afins.

Venho de ruas ruins
onde a felicidade se compra,
às gramas.

Os vossos sorrisos cheiram-se a falso,
sonhos camuflados em jeito de truque.
E não há magia ou facebook,
que te salve.

Lixo?

August 26th, 2010

Lil Wayne feat. Eminem – Drop The World [Official Uncensored HD Video] from icepit on Vimeo.

Há alguns anos, escrevi algo que me acompanha até aos dias de hoje. É com um sorriso no rosto que sei existirem mais como eu, nos lugares onde não os sabia ainda.

LIXO

Nas entranhas do desperdício,
existem entradas para o vício
a corroer essa merda que tendes
em vossos crânios.

Voltei, com orgulho, à revolta.

E do lixo, do podre que repudias,
ergo-me rei, em noites e dias
de raiva silenciosa, nunca séria,
somente um gozo de vos saber fodidos,
ó reis sem tronos.

Vede que não passo de lixo,
de puta cheia, ó, repleta, de sida.
Um monte de cicatrizes orgulhosas,
venenosas como a razão
que bebe água com pão, blurento,
e no meu pensar avarento,
vejo-vos rir, a disfarçar o medo?
Cheiro a lixo, fedo, putas!

Pelas leis da natureza,
confesso-me alheio ao criar
de suposta beleza.
Sou antes bicho, bêbado.
Vindo do lixo, para vos
presentear o enterro.

13 de Agosto de 2010

August 13th, 2010

A mulher que amo, faz anos. Decidi oferecer-lhe um disco.

Ela gostou. Agora, ouve tu:
http://hotfile.com/dl/61720330/75bae95/Ashes_of_Hash_-_Green_Smoke_2010.zip.html

Além-tédio

July 26th, 2010

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

Ecos

July 9th, 2010

Eu até nem sou má pessoa.

Mas são os ecos, a gritar,
até que doa.
E como o homem que não voa,
persigo a loucura.

Só gosto da noite escura,
mas até nem sou má pessoa.

Deixemo-nos disso,
que eu não gosto de chouriço.
E castiço vos digo,
que os ecos me segredam ao ouvido
coisas más sobre vós.

Permitam-me então erguer a voz,
e contra os canhões marchar
pelos egrégios avós!

O Soares devia levar um soco,
enquanto o Guterres bebia leite, de côco,
do Carvalhas. Ah, e Navalhas no cú do Portas.

Estou é nas portas da percepção,
e a fingir uma alucinação,
vos digo tipo grilo:

Cri-Cri, sou um profeta,
Cri-Cri, mijo pela uretra,
Cri-Cri, sou um messias,
Cri-Cri, puta da vossa mãe e tias.

Não te rias, não te rias.

Isto é sério,
devaneio etéreo pelas planícies da trip.
E vi-te nos meus sonhos
ó morte mai linda!
Deves pensar que é com duas de letra
que aqui o Aires finda!

Desculpa ser mal-educado,
mas apetece-me mandar-te
um simples recado:
Sei como vou acabar,
vi no meu sono.
Sou dos que vim para mudar,
e do mundo sou dono.

São os ecos que me dizem,
eu acredito,
portanto fode-te.
Escorrega na banheira, bate cosmicamente com os cornos no chuveiro e desce pelo ralo. Ninguém nem eu nem ralo, enquanto desces pelo esgoto e te misturas com os restos do milagre divino: o benfica num penso higiénico. Há um gótico em Lisboa que lambe conas em sangue. Um senhor, se querem a minha opinião. Acaba numa ETAR, com coloro nos átomos. Quero mesmo que te afoges em merda.

E isto, sou eu, e os ecos.
E eles são muitos, há minha volta.

Conheço uma que vale por todas.

Resigna a revolta,
e de um rasgo,
termina tudo
antes de os ouvires também.


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