Eu até nem sou má pessoa.
Mas são os ecos, a gritar,
até que doa.
E como o homem que não voa,
persigo a loucura.
Só gosto da noite escura,
mas até nem sou má pessoa.
Deixemo-nos disso,
que eu não gosto de chouriço.
E castiço vos digo,
que os ecos me segredam ao ouvido
coisas más sobre vós.
Permitam-me então erguer a voz,
e contra os canhões marchar
pelos egrégios avós!
O Soares devia levar um soco,
enquanto o Guterres bebia leite, de côco,
do Carvalhas. Ah, e Navalhas no cú do Portas.
Estou é nas portas da percepção,
e a fingir uma alucinação,
vos digo tipo grilo:
Cri-Cri, sou um profeta,
Cri-Cri, mijo pela uretra,
Cri-Cri, sou um messias,
Cri-Cri, puta da vossa mãe e tias.
Não te rias, não te rias.
Isto é sério,
devaneio etéreo pelas planícies da trip.
E vi-te nos meus sonhos
ó morte mai linda!
Deves pensar que é com duas de letra
que aqui o Aires finda!
Desculpa ser mal-educado,
mas apetece-me mandar-te
um simples recado:
Sei como vou acabar,
vi no meu sono.
Sou dos que vim para mudar,
e do mundo sou dono.
São os ecos que me dizem,
eu acredito,
portanto fode-te.
Escorrega na banheira, bate cosmicamente com os cornos no chuveiro e desce pelo ralo. Ninguém nem eu nem ralo, enquanto desces pelo esgoto e te misturas com os restos do milagre divino: o benfica num penso higiénico. Há um gótico em Lisboa que lambe conas em sangue. Um senhor, se querem a minha opinião. Acaba numa ETAR, com coloro nos átomos. Quero mesmo que te afoges em merda.
E isto, sou eu, e os ecos.
E eles são muitos, há minha volta.
Conheço uma que vale por todas.
Resigna a revolta,
e de um rasgo,
termina tudo
antes de os ouvires também.
