Sem que os olhos o fossem prever
um pedaço de tabaco ainda a queimar
cai.
A reacção nervosa, cerra os olhos
que, agora, derrotados, aceitam o incidente,
com a naturalidade estéril que marca os dias.
Nada, absolutamente nada,
acontece
neste corpo que agora padece,
enfraquece,
ao ritmo certo dos ponteiros.
Existe um tédio que respira
fodido, rancoroso por ser o que é.
Odeia-se a ele mesmo.
A cabeça do coelho morto,
olha-me da travessa escarnicada.
Roga-me pragas por o ter comido
mesmo que eu odeie o sabor a coelho.
A praga dá-se num vómito feroz
que tudo queima até que os pedaços
do coelho mal digerido, saiam pela boca.
A cinza cai, de novo,
com um vómito que envelhece.
Declarando-lhe guerra, apago o cigarro
no olho esquerdo do coelho.
Um terceiro vómito, o pior,
relembra-me que este corpo,
está a chegar ao fim.