Imaculado

Resumidamente, as pessoas, ou os outros, são um dos dilemas que mais me assombram. Se, por vezes, o extermínio em massa não fosse mal-pensado, o simples facto do ser humano poder chamar-se de antihumanista (ou a designação que preferirem) é deliciosamente interessante.
Mas facto é que são já muito poucos os seres que merecem o meu respeito e, em especial, a minha admiração. Perfeitamente relacionado com um savoir-faire não tão treinado quanto isso, tenho tendência a considerar artistas invulgares mais interessantes que os comuns carneiros – e tão felizes que são. Mas não raras vezes vi egos e estupidez geral sujar uma perspectiva bastante original.
Eu, assumidamente um homem do interior forçado pelas condições da existência a viver na melhor cidade possível, revejo-me na clareza de espírito, no olhar de quem cresceu a ver o sol pôr-se em montanhas ao invés de varandas e antenas de televisão.

Tudo isto para te dizer que conheci alguém que ainda não vi pessoalmente mas pelo qual nutro a mais sincera admiração. Alguém que poderia perfeitamente utilizar o seu estatuto para ser mais um. Alguém que manteve, durante anos uma paixão pela música, pela arte. Ou se preferires sem poetismos, alguém que gastou dinheiro suado ao segundo para organizar eventos sem apoios estatais e só teve prejuízo monetário. Alguém que tem a mesma guitarra há anos. Alguém que tem duas das bandas mais flamejantemente apregoadas em países tão díspares como os Estados Unidos ou México, e que por cá – arrisco-me a um “felizmente” – mais desconhecidas.

Alguém que ao ler isto irá pensar que não é nem fez tudo o que vos descrevo.
Em suma, precisei de registar este orgulho que tenho numa das poucas pessoas que valem a pena conhecer.
É um facto que não precisas de conhecer de quem te falo, mas é imperativo, essencial como o respirar, ouvir o seu “novo” projecto, convenientemente chamado MACULA. Não é fácil, não se digere confortavelmente. Não é sequer inovador ou vanguardista. Mas é algo que me faz sentir, em oito minutos, que se repetem por noites a fio, uma tempestade de imagens, como se dentro do Sanatório das Penhas da Saúde, fosse atravessado pela energia que só emana das pedras, gélidas, de Portugal.

Está disponível um “promo-track” para 100 downloads gratuitos no site de MACULA. Por favor, por ti; faz o download e ouve, apenas e só, no conforto do escuro. Estou certo que irás sentir algo diferente.

macula

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