Pensei em, anonimamente, sem qualquer tipo de divulgação, como já antes aconteceu, criar algo de diferente. Colocá-lo na eternidade efémera da Internet e deixar que o veneno viesse a ser descoberto por alguém, que o passaria para outros.
Esse diferente, que te falo, prende-se com o simples registar de pensamentos, cadeias deles, na desorganização habitual.
Mas comecemos pelo início; há vários anos que não leio uma obra filosófica pura. Recordo, no entanto, os primeiros compêndios que li por vontade própria deveria ter uns 11 ou 12. E claro, depois, logo de seguida e sem medo algum, Nietzsche. Aliás, recordo-me que li esses mesmos compêndios para conseguir perceber a estranha linguagem do filósofo alemão.
Recordo-me que comecei pelo «Anticristo», na surpreendente revelação das falácias do catolicismo. E depois, veio tudo o resto.
Mas é esquecendo esse resto que desejo debruçar-me agora, como se de um simples pastor de ovelhas indagante me tratasse. Um sempre tenebroso despir de roupas, pele, carne e osso, para que reste somente uma mente capaz de reflectir sem interferências maiores. O Isolamento seria rigorosamente necessário para levar a cabo tal reflexão com mais precisão. Não sendo este possível, nada como utilizar uma máscara rasa e manter com o objectivo.
Apesar de ter referido que era meu objectivo eliminar tudo o resto, a teoria da Vontade permanece-me demasiado evidente para ser ignorada. Há, pelo menos em mim, porque quero que os outros se fodam, uma clara e evidente predominância da Vontade. Aliás, estes eulogismos que lês, são reflexo disso mesmo.
E é sobre a Vontade de eles – e eu – continuarem a existir que, em primeiro lugar, surgiram estes mesmos pensamentos. Calma, calma, não te irei maçar com massivas perguntas existencialistas mais do que descritas por tantos outros. Essa parte fica guardada simplesmente para as noites sem sono, ou as tardes de tédio. E para esse mesmo veneno, que como te disse, irei colocar seguro, só ao alcance do acaso.