As velhas botas,
engraxadas de novo,
respiram uma última vez,
antes da grande viagem ao sul.
Não vou para desertos
sem sombra
Muito menos, montes frios
que uma velha assombra.
Vou em direcção ao Sul,
em direcção ao Sol.
Procuro a víbora.
E a mais doce mortalha.
Deixarei os registos
da viagem escritos na areia.
E só no regresso,
irei cortar o cabelo
e as barbas.
Vou para Sul,
em direcção ao Sol
para morrer, na sombra.
8 de Abril de 2007