Variações

Quatro da manhã, e eu cheio de fome.

O predestino vindo sem aviso,
não trazendo lágrimas nem riso.
A sempre inevitável tragédia, de um existir nem por isso, conformado. E com saudades dos amigos que até nem existem, mantenho-me isolado, feito gato pardo de noites que, simplesmente, ja não são as mesmas.

Há pecado a escorrer-me pelos dedos que sabem, também, já não serem os mesmos.

Dei por mim e estava no Marco de Canavezes, e às vezes, até penso o quanto não seria interessante a existência em contínuo movimento. Sem parar, ó sem nunca parar. É como sempre digo e nunca fui ouvido; mapas e relógios, são para queimar no grande dia da verdadeira libertação.

Questiono-me, ainda assim, o verdadeiro motivo porque não fiquei eu na ponta de uma agulha? Ou no fim de uma estrada percorrida com álcool a mais para sequer saber dizer o meu nome por inteiro. Questionar sempre me fez pior que tudo o resto, e a polícia deixa.

Bom, mas vamos ao que interessa:

Este príncipe encantado está estragado. Sempre esteve podre, vazio por de baixo da cobertura de plástico. Palavra, que no manual de instruções estava escrito para encontrar a casa em plástico, viver lá continuamente, pelo menos até ser arrumado numa caixa do sótão. Facto é, que este pobre e desgastado boneco não sabe viver sem as suas ruínas. Este boneco, fode, efectivamente, por trás. Este pobre Ken não deixa que a sua Barbie passe sem arranhões, pisaduras e escoriações. Ó corações destroçados pela vontade. A vontade que impele os bonecos a não cumprirem somente o seu destino predestinado no manual de instruções – sempre a falhar – e acabarem em caixotes do lixo antes do tempo.

Viesse o meu Variações, por uma noite que fosse, e para além de fodermos, haviamos de quebrar este estagno de sentir, e voltar, simplesmente, a viver pela vontade, por mais que todo eu não o queira.

Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, a vontade de partir, para outro lugar.

One Response to “Variações”

  1. Telma says:

    “Questionar sempre me fez pior que tudo o resto, e a polícia deixa.”

    parece que não é só a ti.

Leave a Reply


Videos, Slideshows and Podcasts by Cincopa Wordpress Plugin