A Alegria da Caverna

Comprei o «Festim Nú» a 3 euros no Jumbo. Está em cima da mesa pequena que não serve para muito mais do que magoar os meus joelhos quando passo às escuras. Mas tem uma capa que me agrada particularmente. Quanto a lê-lo, ou relê-lo, bom, isso é toda uma outra história (com h, que não gosto de modernices).

Seria praticamente vergonhoso dizer há quanto tempo não leio um livro. Mas o mais interessante é quanto isso pouco me importa.
Fossem outros os tempos, e estaria desesperado ao saber que haviam passado três meses desde que fiz algo de, efectivamente, produtivo. Mais ainda ao saber o número infindo de páginas escritas sem a sua conclusão, retorsão ou imaginação final.

Ao ter bebido uma garrafa de Porta da Ravessa (tão bom quanto o Borba e mais barato), senti ao de leve o inevitável peso do riso em frente ao mar. Penso agora em todos os dias em que lá estive, só ou acompanhado. Não deixo de sorrir ao perceber agora que nunca os que me acompanharam em frente ao mar, durante a noite, o esqueceram.

Mas é, principalmente, sobre esquecimento que te quero falar hoje, nesta noite furtiva. Digamos, porque mais uma alegoria nunca é demais, que tenho já centenas – ah sim, passam as dezenas – de folhas prontas. Nelas cabem textos, sons, vozes, imagens e até vídeos, embora quanto a estes dois últimos queira fazer bem mais. E sabes o que torna tudo mais interessante? Não os mostrei a ninguém. E nem sequer tenho planos para tal. Aliás, estou neste preciso momento a ouvir um disco que fiz e que nunca mostrei a ninguém. Venci os meus eulogismos. E mesmo que a vitória seja registada neste pequeno e branco espaço onde já ninguém vem, não poderia ser melhor, a minha alegria da caverna.

One Response to “A Alegria da Caverna”

  1. Telma says:

    Eu venho.

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