A Grande Casa, Vazia

Num campo onde a noite cai sem cerimónias,
uma casa grande permanece, vazia.
Nela jaz uma senhora velha com cancro,
que mesmo antes de morrer, nada sentia.

Enquanto uma rapariga dorme de boca entreaberta por ter o nariz tapado com o meu fumo, penso que é já impossível recolher todas as folhas que já escrevi. Muitas delas irão ficar, por aqui, perdidas, quando a curta e longa viagem além-rio acontecer.

Talvez Gaia não seja assim tão má, afinal, sempre se pode apreciar melhor o Porto.

E interrompo a corrente de pensamentos para pensar na dificuldade em pensar que as minhas dores-de-cabeça me causam. São elas e o filho da puta do pássaro que não se cala. Deve ser uma coruja, ou um mocho.
Há trabalho a fazer, para esta e outras noites. O resultado será uma venenosa, mais sempre eterna, Serpente.

ps: Passaram-se meses desde que fui pela última vez ao cinema. Temos que resolver isso.

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