Archive for December, 2007

Escuresse

Friday, December 21st, 2007

Estive a recordar uma noite, há muitos anos atrás. Em que o principio foi um fugaz pensar e o fim, a destruição possível para as condições apresentadas. Recordo-me que havia sangue misturado no whisky, cinza no suor da pele e cabelos por entre os dedos.

Between Sin And Sacrifice.

Hoje, estive a reviver o tédio que vai passando o nariz pelo pó que se acumula no meu peito. E sem dar grande importância ao assunto, injectei palavras nas veias de um papel sujo. Perceber, depois e com um sorriso, que não há rigorosamente motivo nenhum para existir.

Driving Down The Darkness.

Amanhece

Thursday, December 20th, 2007

pela janela de madeira da casa-de-banho onde cresce uma alga na sanita, que agora já não se vê. Sei que estes são os últimos dias de um permanecer nunca desejado, antes obrigado.

Antevê-se o prometido regresso à civilização, deixando para trás feitiços e comedores de carne adormecidos. Voltando às luzes amarelas, sempre doentes, do meu Porto que se vai regenerando, com obras e novas estradas e passeios, prontos para os que neles caminham, se continuem a perder.

Não houvesse o rosnar da incerteza, e não seria o ínicio de uma viagem. Atravessar o deserto sem lhe tocar, sobrevoar as minhas terras, até ao regresso do meu buraco, o meu antigo covil suficientemente disfarçado de casa de pessoas sérias, que simplesmente teve festarolas estranhas, onde se houve pouco ruído e muitas garrafas vazias no dia seguinte no lixo.

Depois, procurar novo covil, não muito distante, mas com uma mesa de Xadrez em frente à janela e muitos livros, em cima da mesa.

Post-It na Berma da Auto-Estrada

Tuesday, December 18th, 2007

Alguns factos, tremendamente importantes:

Doi-me a cabeça.Tenho algum apetite.Volto para Portugal em Janeiro.Fumei dois maços. Bebi Anis.Tenho os bronquios cansados.Estou satisfeito.

Vermelho

Wednesday, December 12th, 2007

Estive a pensar e cheguei a uma conclusão fascinante: a minha cor preferida, é mesmo o vermelho. Nos lábios, nas costas, nas ancas, nas unhas, por de baixo das unhas. É, de facto, eu gosto muito de vermelho.

Entretanto, refiz o pato, entre rituais de macumba e danças álcoolicas. Leva-lo-ei no meu regresso, dentro da mala que me fica sempre demasiado vazia, nunca percebo bem porquê. Deixei de me interessar se este ficaria ou não perfeito, fi-lo e pronto. E assim será a carne futura, também.

Quanto ao dias, esses, são passados a palavras de ferro e tédio de fogo. Sinto-te falta, mesmo que te veja, continuamente, sem cesar, todos os dias. Há espinhos neste longo caminho, neste longo deserto que haveria de se atravessar num ápice, houvesse teletransporte. Mas não há, e a TAP terá de chegar.

Uma vez lá, aí sim, mesmo sabendo, no fundo, que não, cometer a insanidade, de sermos, quase, felizes.

A Falta

Tuesday, December 11th, 2007

de respirar ar português, tortura-me.

E não me permito sequer a exageros gramaticais. Há nessa falta cordas, berços de judas e gilhotinhas afiadas.
E como se tudo fosse um conto de fadas destinado a ser vencido pelas bruxas, no final, como a maçã só para a vomitar, uma e outra vez.

E no vómito, espalhado desordenadamente pela sanita – dizem que ao vomitar para o lavatório não custa tanto mas não consigo evitar – vejo o pato, magríssimo, mais do que Morto, para espanto dos deuses.
Diz-me que continue a escrever os meus sonhos, a gravá-los em voz, som e até em vídeo. Mas o pato não imagina, o pato não sonha sequer, que o tédio desgasta-me mais do que se respirasse o meu próprio vómito já ex pê lido.

 Estamos fodidos, caro pato, fodidos.


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