Archive for January, 2008

Exercício de Memória

Saturday, January 26th, 2008

Estou de volta ao covil, num topo que nem é tão alto quanto isso, assisto a noites frias que acabam demasiado cedo pelos compromissos, ditos, irritadiços.
Hoje permito-me a um vasculhar das coisas velhas, das caixas e caixotes. Dos livros que nunca acabam, quase suficientes, já, para construir uma casa, das grandes, fossem eles alinhados como paredes.

Existem Doors sussurrados aos ouvidos e o meu caro Axel, por perto. Prepara-se a estabilidade para começar novas quedas, sempre desamparadas.

Come on baby, take a change with us.

Existe demasiado frio para os insectos, que não as aranhas, embora estas não o sejam, efectivamente, sairem ao frio. Mas o pavor deles está presente, trabalhado, constantemente. Quando digo “são dois cafés”, quando lavo pratos com água gelada ou quando fodo em sonhos. O terror referido, mantém-se, invulgarmente, presente.

Snakes… of prey.

As Velhas Botas

Wednesday, January 23rd, 2008

As velhas botas,
engraxadas de novo,
respiram uma última vez,
antes da grande viagem ao sul.

Não vou para desertos
sem sombra
Muito menos, montes frios
que uma velha assombra.

Vou em direcção ao Sul,
em direcção ao Sol.

Procuro a víbora.

E a mais doce mortalha.

Deixarei os registos
da viagem escritos na areia.
E só no regresso,
irei cortar o cabelo
e as barbas.

Vou para Sul,
em direcção ao Sol
para morrer, na sombra.

8 de Abril de 2007

Les Yeux Sans Visage

Monday, January 21st, 2008

eyes_without_a_face1.jpg

de Georges Franju

Baratas

Wednesday, January 16th, 2008

O medo, pânico, pavor das baratas, fascina-me. Também não as gosto, é um facto.

Estou de partida, para um novo recomeço. Vestido de preto, chegou finalmente o dia de partir de um dos lugares mais estranhos, onde alguma vez, repousei o corpo.
Levo-te histórias que os olhos não irão acreditar, com a certeza que precisarás dos sentidos, para uma assimilação completa.

Preparo-te o medo, tão significativo como o causado por um insecto que podes simplesmente, esmagar.

Julgamento – Exórdio

Tuesday, January 15th, 2008

Bem sei que não vedes, mas já não tenho olhos.
Foram de tal forma horríveis, as visões que tive,
nos desertos do sul, onde o eterno negro vive.

Tendo presenciado todos os bichos rastejantes,
vorazes criaturas de merda devorantes,
que entram na pele, e lá deixam as suas crias.

Tendo visto bastardos descalços no lixo,
como se fossem reles bicho, com fome,
de miséria sem nome, morrerem.

Arranquei os olhos,
para não mais ver,
o inferno de ter
que viver,
numa descida,
eterna.


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