
Archive for February, 2008
O Tempo
Monday, February 25th, 2008Instinto
Sunday, February 17th, 2008Eterno orgulho em destruir.
Sou o cão que não morde,
e ladra até o sono te fugir.
Incómodo do deixar ir,
em perpétuo confronto.
Coberto de merda
e mijo, com larvas na pele,
infecções e fungos,
sífilis de tanto foder com a morte!
mas de queixo erguido,
com um por todos rasgado
sorriso, arrogante.
Sou o que tudo fode,
por todos fodido,
no limiar do limbo,
com um dedo erguido,
ao barqueiro.
Variações
Sunday, February 10th, 2008Quatro da manhã, e eu cheio de fome.
O predestino vindo sem aviso,
não trazendo lágrimas nem riso.
A sempre inevitável tragédia, de um existir nem por isso, conformado. E com saudades dos amigos que até nem existem, mantenho-me isolado, feito gato pardo de noites que, simplesmente, ja não são as mesmas.
Há pecado a escorrer-me pelos dedos que sabem, também, já não serem os mesmos.
Dei por mim e estava no Marco de Canavezes, e às vezes, até penso o quanto não seria interessante a existência em contínuo movimento. Sem parar, ó sem nunca parar. É como sempre digo e nunca fui ouvido; mapas e relógios, são para queimar no grande dia da verdadeira libertação.
Questiono-me, ainda assim, o verdadeiro motivo porque não fiquei eu na ponta de uma agulha? Ou no fim de uma estrada percorrida com álcool a mais para sequer saber dizer o meu nome por inteiro. Questionar sempre me fez pior que tudo o resto, e a polícia deixa.
Bom, mas vamos ao que interessa:
Este príncipe encantado está estragado. Sempre esteve podre, vazio por de baixo da cobertura de plástico. Palavra, que no manual de instruções estava escrito para encontrar a casa em plástico, viver lá continuamente, pelo menos até ser arrumado numa caixa do sótão. Facto é, que este pobre e desgastado boneco não sabe viver sem as suas ruínas. Este boneco, fode, efectivamente, por trás. Este pobre Ken não deixa que a sua Barbie passe sem arranhões, pisaduras e escoriações. Ó corações destroçados pela vontade. A vontade que impele os bonecos a não cumprirem somente o seu destino predestinado no manual de instruções – sempre a falhar – e acabarem em caixotes do lixo antes do tempo.
Viesse o meu Variações, por uma noite que fosse, e para além de fodermos, haviamos de quebrar este estagno de sentir, e voltar, simplesmente, a viver pela vontade, por mais que todo eu não o queira.
Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação que estou a perder. Tenho pressa de sair, quero sentir ao chegar, a vontade de partir, para outro lugar.
Pelo meu nariz
Saturday, February 9th, 2008cheiro a desconfiança de estranhos que haverão, inevitavelmente, se tornar, desconhecidos conhecidos. Cheiro perfumes baratos, perfumes caros… e até, simples e quase incomodativo suor.
Pelo meu nariz, vem inspiração que se julga não o ser. Não vêm perfumes, nem contos de fadas tranformados em fodas afiadas, ó, degeneradas mentes sempre quentes, mesmo quando está um frio do caralho.
Agora, meus caros e sempre preocupados colegas da cadeia de evolução, estamos cá todos, à procura de salvação. Ninguém gosta de morrer sozinho, disse-me o meu primeiro e único prefessor de psicologia. Ele morreu.
E tu, o que vês na Ruína? Salvação heróica ou simples espaço para percebes a perene idade que não perdoa?
Já podes ler a Metamorfose?
Sunday, February 3rd, 2008Estou a pensar sobre o que vou pensar quando pensar por fim.
Sim, está confuso, mas faz sentido.
Não se sabe lá muito bem qual é o bicho, apenas que existe, e vai habitando ruínas como se de um verme se tratasse.
Sim, sim, é um bom livro.