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	<title>Eulogismos</title>
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	<description>Aires Ferreira</description>
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		<title>Além-tédio</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 22:37:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[Fim Quando eu morrer batam em latas, Rompam aos saltos e aos pinotes, Façam estalar no ar chicotes, Chamem palhaços e acrobatas! Que o meu caixão vá sobre um burro Ajaezado à andaluza&#8230; A um morto nada se recusa, Eu quero por força ir de burro. Mário de Sá Carneiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Fim</strong></p>
<p>Quando eu morrer batam em latas,<br />
Rompam aos saltos e aos pinotes,<br />
Façam estalar no ar chicotes,<br />
Chamem palhaços e acrobatas!</p>
<p>Que o meu caixão vá sobre um burro<br />
Ajaezado à andaluza&#8230;<br />
A um morto nada se recusa,<br />
Eu quero por força ir de burro.</p>
<p>                      <strong> Mário de Sá Carneiro</strong></p>
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		<title>Ecos</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 00:10:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu até nem sou má pessoa. Mas são os ecos, a gritar, até que doa. E como o homem que não voa, persigo a loucura. Só gosto da noite escura, mas até nem sou má pessoa. Deixemo-nos disso, que eu não gosto de chouriço. E castiço vos digo, que os ecos me segredam ao ouvido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu até nem sou má pessoa.</p>
<p>Mas são os ecos, a gritar,<br />
até que doa.<br />
E como o homem que não voa,<br />
persigo a loucura.</p>
<p>Só gosto da noite escura,<br />
mas até nem sou má pessoa.</p>
<p>Deixemo-nos disso,<br />
que eu não gosto de chouriço.<br />
E castiço vos digo,<br />
que os ecos me segredam ao ouvido<br />
coisas más sobre vós.</p>
<p>Permitam-me então erguer a voz,<br />
e contra os canhões marchar<br />
pelos egrégios avós!</p>
<p>O Soares devia levar um soco,<br />
enquanto o Guterres bebia leite, de côco,<br />
do Carvalhas. Ah, e Navalhas no cú do Portas.</p>
<p>Estou é nas portas da percepção,<br />
e a fingir uma alucinação,<br />
vos digo tipo grilo:</p>
<p>Cri-Cri, sou um profeta,<br />
Cri-Cri, mijo pela uretra,<br />
Cri-Cri, sou um messias,<br />
Cri-Cri, puta da vossa mãe e tias.</p>
<p>Não te rias, não te rias.</p>
<p>Isto é sério,<br />
devaneio etéreo pelas planícies da trip.<br />
E vi-te nos meus sonhos<br />
ó morte mai linda!<br />
Deves pensar que é com duas de letra<br />
que aqui o Aires finda!</p>
<p>Desculpa ser mal-educado,<br />
mas apetece-me mandar-te<br />
um simples recado:<br />
Sei como vou acabar,<br />
vi no meu sono.<br />
Sou dos que vim para mudar,<br />
e do mundo sou dono.</p>
<p>São os ecos que me dizem,<br />
eu acredito,<br />
portanto fode-te.<br />
Escorrega na banheira, bate cosmicamente com os cornos no chuveiro e desce pelo ralo. Ninguém nem eu nem ralo, enquanto desces pelo esgoto e te misturas com os restos do milagre divino: o benfica num penso higiénico. Há um gótico em Lisboa que lambe conas em sangue. Um senhor, se querem a minha opinião. Acaba numa ETAR, com coloro nos átomos. Quero mesmo que te afoges em merda.</p>
<p>E isto, sou eu, e os ecos.<br />
E eles são muitos, há minha volta.</p>
<p>Conheço uma que vale por todas.</p>
<p>Resigna a revolta,<br />
e de um rasgo,<br />
termina tudo<br />
antes de os ouvires também.</p>
<p><a href="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/07/ecos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-294" title="Ecos Aires Ferreira" src="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/07/ecos.jpg" alt="" width="595" height="447" /></a></p>
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		<title>Assofrimentos</title>
		<link>http://serpente.net/eulogismos/291/assofrimentos/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 18:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[Aires Ferreira &#8211; Bloco de Assofrimentos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/06/Aires-Ferreira-Bloco-de-Assofrimentos.mp3">Aires Ferreira &#8211; Bloco de Assofrimentos</a></p>
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		<title>Pensamentos Circulares</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 14:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[2) Notável diminuição do interesse ou do prazer em todas ou quase todas as actividades habituais, quase todos os dias. Tal como o sintoma anterior, este obtém-se igualmente a partir de referências subjectivas ou comparativamente com outros estados de espírito. 3) Aumento ou perda significativa de peso (até 5 % num mês) sem que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>2)</strong> Notável diminuição do interesse  ou do prazer em  todas ou quase todas as actividades habituais, quase todos os  dias. Tal  como o sintoma anterior, este obtém-se igualmente a partir de   referências subjectivas ou comparativamente com outros estados de  espírito.</p>
<p><strong>3)</strong> Aumento ou perda significativa  de peso (até 5 % num  mês) sem que o paciente esteja submetido a regime. Também:  diminuição  ou aumento quotidiano de apetite.</p>
<p><strong>4)</strong> Insónia ou hipersónia quase  todos os dias.</p>
<p><strong>5) </strong>Agitação ou progressiva  lentidão psicomotora  (percebida pelos outros e não sendo, portanto, um simples  sentimento de  inquietação ou de lentidão no paciente).</p>
<p><strong>7)</strong> Sentimentos excessivos ou  inadequados de  inutilidade ou de culpa, podendo chegar a ser delirantes e   apresentando-se quase diariamente. Não se trata de simples  auto-recriminações  ou de sentimento de culpa pelo facto de o indivíduo  estar doente.</p>
<p><strong>8)</strong> Diminuição da capacidade para  pensar, concentrar-se  ou decidir, assinalada pelo paciente e observada pelos  demais.</p>
<p><strong>9)</strong> Ideias recorrentes de morte  (que não são só o medo  de morrer), ideias de suicídio também recorrentes (mas  não obedecendo a  um plano específico), tentativas de suicídio ou planos  específicos de  se suicidar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Carta ao Dinis</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 21:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[Dinis, quando leres estas palavras, terás já idade para saber que o teu tio era um homem mau. Um homem asfixiado pelo peso da existência.E ninguém te conseguirá explicar o porquê das histórias que ouvirás sobre mim. Vão usar o álcool, as drogas e lapsos de insanidade momentânea como desculpa. Não acredites em nada disso. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dinis,</p>
<p>quando leres estas palavras, terás já idade para saber que o teu tio era um homem mau. Um homem asfixiado pelo peso da existência.E ninguém te conseguirá explicar o porquê das histórias que ouvirás sobre mim. Vão usar o álcool, as drogas e lapsos de insanidade momentânea como desculpa. Não acredites em nada disso.</p>
<p>Poderás, eventualmente, conseguir disfarçar-te por entre os outros. Aliás, espero que acabes burro, a gostar de futebol, casado e com idas ocasionais às putas. Faz como o teu avô João e talvez resulte. Mas não sigas o meu caminho. Pertenço aos que acabam com um tiro nos cornos ou mortos de overdose numa qualquer poça de vómito, num qualquer quarto, sem rigorosamente ninguém para contar a história.</p>
<p>Escrevo-te, acima de tudo, para te dar uma má notícia. Recordas a tua infância até ao momento que os teus pais se separaram? Como já sabes, as coisas pioraram a partir daí. E a má notícia que te trago é que vão continuar a piorar. Vais, evidentemente, dar umas gargalhadas e viver uns dias que te irão saber bem. Mas faças o que fizeres, não escaparás à merda que és.</p>
<p>Tu, e todos os outros. É a relação com essa merda que vai decidir o que serás. É, creio, esse o principal modulador de personalidades. Vais encontrar Bejamins que te querem roubar a bola no recreio. Vais pegar-lhe na cabeça e espeta-la contra o chão, até que o Bejamin comece a gritar. Vais encontrar todo o tipo de mulheres em ponto pequeno. Umas que irão colmatar o medo de ficar sozinhas com roupa que não fica bem a ninguém, outras que após a primeira foda te querem como marido. Isto enquanto adolescente, depois, só piora. Mas já lá vamos.</p>
<p>Aproveita cada saída à noite, as primeiras que o meu irmão te deixar fazer. Ainda hoje recordo a minha primeira noite fora. Uma noite de S. João com a Cláudia, de quem nunca gostei mas que me ensinou algumas das mais valiosas lições até hoje. Aproveita as faltas às aulas para ires para a casa dos colegas, para a tua ou mesmo para ires tomar um café à baixa. Garanto-te que serão algumas das poucas memórias que irás guardar até ao fim dos teus dias.</p>
<p>Experimenta tudo com cuidado. O tio nem sempre o fez e não raras vezes acordou em bancos de jardim em sítios que nunca tinha visto. É uma merda pelos inconvenientes óbvios, e ainda, porque apanhas pulgas.</p>
<p>Ah, vais achar que estás apaixonado, mas isso passa-te.</p>
<p>Não tenhas filhos e espalha a inutilidade total de o fazer. Somos um vírus, reproduzir-nos é o pior acto que poderemos cometer.</p>
<p>A partir do fim da tua adolescência, estás proibido de namorar com raparigas mais novas do que tu. Todas elas acham maravilhoso namorar com gajos mais velhos, e depois fodem-se. Acabam, sempre, frustradas e com uma série de problemas. Não contribuas para isso. O tio tem especial asco a idiotas como o Alexandre, que &#8211; como o tio viu &#8211; não sabem foder com mulheres a sério, tendo que recorrer a adolescentes. Aliás, isto acontece muito. Não havendo formação e um real desejo de foder em condições, dificilmente consegues um orgasmo feminino sem língua. O tio consegui-o  fazer exemplarmente durante muitos anos até a droga começar a fazer das suas e os meus pulmões falharam quando tinham demasiado esforço.</p>
<p>E muito menos faltes ao que acreditas realmente por um pedaço de cú. Os cús são feios, e se tiveres a minha infelicidade, irás encontrar alguns com pêlos e que te irão deixar a pila com pedaços de merda. Não queiras isso, que para além de ser pouco higiénico, pode causar doenças. Se fores homosexual, bom, nesse caso habituas-te.</p>
<p>Outra coisa importante; pensa muitíssimo bem o que queres fazer com os teus anos de vida. Sempre com a noção que a qualquer momento levas com um carro em cima, e sentes a chapa a desfazer-te a carne. Pensa, e pensa. Duvido que tires algum tipo de curso, não porque sejas burro, que o tio também não o é, mas simplesmente saberás viver a tua adolescência e os estudos irão para o caralho. E isso nem sempre é mau.</p>
<p>Tudo depende do que venhas a desejar para ti. A minha sugestão é que penses com a razão. Uma das coisas mais eficazes que podes fazer para reduzir a miséria inerente ao existir é não trabalhares. Ou trabalhares em algo que gostes mesmo, mesmo, mesmo muito. Nunca escolhas o caminho mais difícil só para provar algo a seja quem for. Daqui a uns anos todos estarão mortos e toda a gente vai esquecer esse teu acto de bravura. E quem se fode, és tu.</p>
<p>A tua mãe é uma cabra. Não gostes dela.</p>
<p>E creio que é tudo. Trata de não ficares viciado em nada. Não queiras saber como nem onde morri. Se leres isto, ainda tive tempo de te entregar isto da forma que agora te faz rir, e isso é o mais importante.</p>
<p>Vês como ler é fixe?</p>
<p>Aires</p>
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		<title>Antes do Quarto, Parte 4</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 01:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[E por isso mesmo considero que se trata, simplesmente, do conceito mais essencial à existência humana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E por isso mesmo considero que se trata, simplesmente, do conceito mais essencial à existência humana.</p>
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		<title>Antes do Quarto, Parte 2</title>
		<link>http://serpente.net/eulogismos/272/antes-do-quarto-parte-2/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 13:44:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[E sendo um crente nas leis da natureza, não deverias ceder ao instinto e procurar a felicidade? Claro. Aumento, sempre que possível o meu bem-estar. Ainda ontem, fui feliz. Mas sei identificar que são bem mais os dias infelizes do que dias felizes. Como diria alguém, somos vicíados em tristeza. E o que fizeste ontem? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E sendo um crente nas leis da natureza, não deverias ceder ao instinto e procurar a felicidade?</p>
<p>Claro. Aumento, sempre que possível o meu bem-estar. Ainda ontem, fui feliz. Mas sei identificar que são bem mais os dias infelizes do que dias felizes. Como diria alguém, somos vicíados em tristeza.</p>
<p>E o que fizeste ontem?</p>
<p>Fui passear para a praia, na hora de almoço. Acordei tarde e comi uma torrada no 27, como diz o Manata. Fumei um, andei na areia e depois, a meio da tarde, comi um bife perto do rio, com o olhar no Porto. Pensei em como tudo era antigo, e como sou agora a personificação dos &#8220;homens do futuro&#8221; dos antigos residentes deste espaço. Fumei outro e regressei a casa.</p>
<p>E foi um momento feliz?</p>
<p>Ora nem mais. E tu, o que fazes para ser feliz?</p>
<p>Eu não interesso. Voltemos a ti&#8230;</p>
<p>Não. Diz lá.</p>
<p>Arte. Refugio-me na arte sempre que não tenho como gastar o tempo.</p>
<p>E porque queres gastar o tempo ou invés de o utilizar?</p>
<p>Ah, era uma forma de dizer. No fundo tento minimizar as coisas más, fazendo algo que me saiba bem.</p>
<p>Reduzir, portanto, a Miséria ao mínimo?</p>
<p>Isso mesmo! E por falar em miséria, parece-me que a procuras. Estou errado?</p>
<p>&#8220;Loucura&#8221;, Mário de Sá-Carneiro. Acho que te responde muito melhor do que eu a essa questão.</p>
<p>Achas-te louco?</p>
<p>Não. O meu, ou melhor, um dos meus problemas, é precisamente esse. Sou demasiado são, vejo tudo com demasiada clareza. E nós precisamos, talvez como sistema de redução da miséria, de não sentir o peso de toda a verdade a todo o momento. No fundo, uma vez mais, parece-me obra da esplendorosa natureza. O teu corpo, e a sua inteligência fazem-te esse bloqueio, pois, sabendo-te incapaz de lidar com tudo inerente à condição de existir, acabarias por dar um tiro nos cornos. Ao ver tudo claramente, o mais provável é que não te reproduzisses, que não contribuisses de forma saudável para a sociedade, etc etc. E é isso que se quer, tanto pelas regras impostas pela sobrevivência como pelo mundo actual de uma sociedade composta por reis e escravos. Essencialmente, é necessário ser parvo, como uma constante matemática.</p>
<p>Então se é uma regra, porquê vergá-la, lutar contra o que é invencível? Porque não, simplesmente, aceitar como &#8220;as coisas são&#8221;?</p>
<p>Porque sou um belo de um rebelde. Porque na minha natureza à violência. Há gosto no insulto, no destruir, no fazer mal.</p>
<p>Mas tens coisas boas, que fazem os outros gostar de ti. E suponho que não por esses motivos que apontas.</p>
<p>É como foder, meu caro. Tens alguém a aceitar, livremente, um ataque feroz. E entendes essa ferocidade como desejo, não como agressividade pura e dura. É a velha questão da dualidade e afins. Mas isto é demasiado complexo para uma conversa de sofá. Os filosofos que se encarreguem de debater essas questões matematicamente, até que, com cálculos, eliminem todos os erros.</p>
<p>Mas sei que gostas muito de filosofia. Gostarias de ser um velho ermita?</p>
<p>Não gosto assim tanto de filosofia. Aliás, gosto da história da filosofia. A filosofia, na minha humilde cabeça, é exactamente como a droga. Um pouco faz muito bem, demasiado mata-te.<br />
Quanto ao ermita; não, não vejo. Imagino-me a acabar o resto dos meus dias numa velha casa, numa velha quinta isolada. Até lá, devo manter-me como bicho que só sai à noite. Vivo no meio da floresta, mas saio da toca só quando extremamente necessário. Bonita, esta merda. Quem fizer citações terá que me pagar.</p>
<p>E manteve um olhar sarcástico, de quem foi pago muito poucas vezes. De quem não gosta sequer do vil metal. Pergunto-lhe então:</p>
<p>E gostavas de viver disto, apenas criar?</p>
<p>Como digo sempre; tenho saudades dos mecenas. Tivesse eu tudo o que tenho agora e mil euros por mês para as merdas do costume, e não chateava mais ninguém. Mas sim, respondo à tua questão, claro que gostaria.<br />
Vou mijar, venho já.</p>
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		<title>Antes do Quarto, Parte 1</title>
		<link>http://serpente.net/eulogismos/266/antes-do-quarto-parte-1/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 19:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[carne]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma divisão pequena com as persianas baixas e janelas abertas para deixar entrar a leve brisa inexistente numa calorenta tarde. Fios discretamente arrumados por detrás de uma guitarra eléctrica preta que nos observava em silêncio. Sentamo-nos num sofá barato, mas prático. Temos um enorme vidro à nossa frente, que não nos deixa fugir do reflexo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma divisão pequena com as persianas baixas e janelas abertas para deixar entrar a leve brisa inexistente numa calorenta tarde. Fios discretamente arrumados por detrás de uma guitarra eléctrica preta que nos observava em silêncio. Sentamo-nos num sofá barato, mas prático. Temos um enorme vidro à nossa frente, que não nos deixa fugir do reflexo constante.</p>
<p>Ele olha a janela, perdido dentro do pensamento e dos raios de luz que expõe com o seu fumo ilegal. É fácil não gostar dele, já que tem a barba por fazer, está de calças apenas e chinelos da Nike. Queixa-se do calor, mas diz que gosta ainda menos do frio. Começamos.</p>
<p>Antes de mais, como te sentes hoje?</p>
<p>Inútil. Não fiz nada o dia todo. E tu?</p>
<p>Bem, obrigado. Gostava de começar pelo que te motiva.</p>
<p>Como esta será diferente das outras, não te sei responder. É algo que faço há tanto tempo que vou, simplesmente, fazendo. Sem que possa contrariar alguma vontade de total inércia que, eventualmente, surja.</p>
<p>Mas não há uma vontade em contar histórias? Em revelar aos outros o que te passa dentro do crânio?</p>
<p>Em última análise, quero que os outros se fodam. Mesmo tu, poderias enfiar agora uma bala nos cornos e a única coisa que me iria preocupar era o sangue na parede e como explicar à polícia porque raio o fizeste. Mas voltando ao que interessa, sim, gosto que me contem uma boa história, gosto tanto de a contar. De fazer sentir, etc.<br />
Não quer isto, no entanto, dizer que me preocupe com os que querem &#8220;ouvir&#8221; a minha história. Aliás, cada vez mais tenho menos vontade de o fazer.</p>
<p>Porquê?</p>
<p>Porque já contei histórias suficientes, a pessoas suficientes.</p>
<p>Mas não queres sempre mais?</p>
<p>Até quero&#8230; [longa pausa] Mas por outro lado, não quero saber. O velho paradoxo de existir.</p>
<p>Mas sem isso conseguirias existir?</p>
<p>Evidentemente que sim. Posso criar histórias para mim, ouvi-las eu e meia dúzia de conhecidos a quem me apeteça mostrar. Ou mesmo só eu.</p>
<p>Sentes algum tipo de desilusão com a pessoas a quem contas essas histórias?</p>
<p>Não sinto nada em relação aos outros. São-me indiferentes. Irritam-me sim, os que julgam que por ouvir uma história possam fazer parte dela. Mas enfim. Estamos programados para ser imperfeitos, é mais do que natural que todos nós façamos merda. Esta-nos no sangue.</p>
<p>Mas existem seres humanos magníficos, que criaram obras soberbas. Alguns deles, sei que admiras.</p>
<p>Sim, bastantes. Mas não é por terem criado uma obra que mudou a história da humanidade, que a marcou, que não poderiam ser uns ranhosos de merda. Nunca imaginaram, os meus pais que adoravam o Carlos Cruz, que este gostava de ter a pila lambida por adolescentes sem ninguém.</p>
<p>Isso não foi provado! [risos]</p>
<p>Quero que se fodam as provas. Qualquer idiota que moleste crianças devia ser torturado e morto. E sim, discurso de trolha mas quero que se foda. Acho a pedofília desprezível, tenha a forma que tiver.</p>
<p>Mas se os outros não te importam, porque te preocupa isso?</p>
<p>Se me preocupasse, faria alguma coisa em vez do simples &#8220;deviam morrer todos&#8221;. Mas, claro, isso não invalida o nojo que mete.</p>
<p>Aconteceu-te algo a ti?</p>
<p>Não que me lembre. A minha infância foi, em todos os aspectos, a melhor parte da minha existência. Fui derradeiramente feliz até aos 5 anos ou coisa que valha.</p>
<p>O que te impede de ser feliz hoje em dia?</p>
<p>A idade.</p>
<p>Ficas mais infeliz com o passar dos anos?</p>
<p>Evidentemente. É, aliás, o que acontece sempre. Simplesmente, acabei por perceber isso cedo.</p>
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		<title>Escura Fábrica do Som</title>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 22:37:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E, um regresso à Invicta. Foi numa cave, na Baixa. Escolheu-se uma cave escura, onde o baixo da minha caríssima cúmplice Ira (é seu o nome real, roiam-se) ecoasse de melhor forma para acompanhar os textos. Reforçar o agredecimento aos que foram à Fábrica do Som, à HellOutro que tão bem organizou este evento, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/05/20100522_airesferreira_12.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-263" title="20100522_airesferreira_12" src="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/05/20100522_airesferreira_12.jpg" alt="" width="562" height="850" /></a></p>
<p>E, um regresso à Invicta. Foi numa cave, na Baixa. Escolheu-se uma cave escura, onde o baixo da minha caríssima cúmplice Ira (é seu o nome real, roiam-se) ecoasse de melhor forma para acompanhar os textos.<br />
Reforçar o agredecimento aos que foram à Fábrica do Som, à HellOutro que tão bem organizou este evento, e claro, ao meu caro Charles, que aprimorou a noite com um excelente concerto.<br />
E mencionar ainda André Henriques, que mesmo com a pouca iluminação que pedimos, conseguiu captar fotografias como só ele sabe. Visita www.ahphoto.pt.vu e vê pelos teus olhos.</p>
<p>Em breve irão surgir mais novidades. Até lá.</p>
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		<title>Expurgação 22 de Maio, Fábrica do Som &#8211; PORTO</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 16:23:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AiresFerreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está confirmada a primeira Expurgação desde 2006. Após um gentil convite da Hell Outro, irei fazer a primeira parte da noite que serve ao excelente projecto de música (im)popular portuguesa, La Chanson Noire, para apresentação do seu novo Vinyl. Este evento servirá, também, para apresentar, oficialmente, o livro «Ruína», sendo composto por boa parte de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está confirmada a primeira Expurgação desde 2006. Após um gentil convite da Hell Outro, irei fazer a primeira parte da noite que serve ao excelente projecto de música (im)popular portuguesa, La Chanson Noire, para apresentação do seu novo Vinyl.</p>
<p>Este evento servirá, também, para apresentar, oficialmente, o livro «Ruína», sendo composto por boa parte de textos presentes no mesmo. Os horários serão cumpridos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/04/Concerto_-_Chanson_Noire_+_Aires_Ferreira_-_Flyer_small.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-256" title="Concerto_-_Chanson_Noire_+_Aires_Ferreira_-_Flyer_(small)" src="http://serpente.net/eulogismos/wp-content/uploads/2010/04/Concerto_-_Chanson_Noire_+_Aires_Ferreira_-_Flyer_small.jpg" alt="" width="397" height="517" /></a></p>
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